sábado, 8 de agosto de 2009

Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos nasceu no dia 5 de março de 1887 no Rio de Janeiro. Foi e ainda é o maior dos músicos brasileiros. Villa foi um vanguardista, participou da Semana de Arte Moderna, em 1922. Fundiu às suas composições eruditas o folclore brasileiro trazendo sonoridades oriundas dos povos indígenas e africanos e dos mais variados generos como: samba, choro e cantiga.


2009 é ano do cinquentenário de morte do maestro. Um ano que, naturalmente, deveria ser de grandes homenagens em reconhecimento ao valor do artista, porém, até agora, o que foi visto são pequenos eventos, com tímidas divulgações, os quais não comdizem com a grandiosidade de Villa-Lobos.

Infelizmente Heitor Villa-Lobos ainda insiste num quase anonimato para maior parte do povo tupiniquim. Povo esse que é vítima de coisas como Latino, Mc Créu e Banda Calypso que são, insistentemente, apresentados como grandes artistas(?) e legítimos representantes da música brasileira pela medíocre mídia nacional a qual prefere nívelar por baixo. Entretanto o mesmo povo que é vítima também é culpado, por não exigir uma maior qualidade no conteúdo apresentado.

Enfim, para aqueles que não se contentam com a má qualidade da "música" comercial e descartavel segue abaixo o link para download via torrent da ótima obra Bachianas Brasileiras composta por Villa-Lobos.

Orquestra Sinfônica do Brasil
Isaac Karabtchevsky: Maestro
Nelson Freire: Piano
Leila Guimaraes: Soprano

Mano Brown,
um grande fã de Heitor Villa-Lobos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alienação juvenil

A juventude atual é alienada. Errado. Alegação que não passa de um mito a ser combatido. Há décadas os jovens brasileiros são tachados de alienados por uma sociedade padronizadora que os julga sem antes analisar o contexto em que estão inseridos.

O cenário sócio-político atual não oferece à juventude uma causa capaz de uni-la em torno de um objetivo único. Diferentemente das décadas de 60 e 70, nas quais os jovens brasileiros lutaram por liberdade de expressão - limitada pelo regime ditatorial da época -, à juventude atual são propostas questões menos unificadoras, como a preservação ambiental e casos de corrupção política. É certo que casos envolvendo nepotismo e desvios de verba pública já são razões suficientes para mobilizações populares, entretanto, não se comparam aos malefícios trazidos por um regime ditatorial.

Há de se destacar, também, a inexistência de um dualismo ideológico. De modo geral, toda a sociedade pensa e age conforme os princípios burgueses. Durante a Guerra Fria, por exemplo, tal padronização não se fazia presente, pois a oposição entre comunismo e capitalismo levava ao maniqueísmo ideológico, de maneira a incitar os indivíduos ao engajamento político visando à defesa de seus ideais. Atualmente, contudo, predomina o hibridismo ideológico. “Não há porque me limitar à defesa irrestrita de uma ideologia. Posso ir além: captar o que cada ideologia tem de melhor a nos oferecer”. Não há mais espaços para antagonismos irredutíveis.

Nos tempos modernos, entretanto, com o predomínio da ideologia burguesa, percebe-se uma tentativa elitista - principalmente pela atuação midiática - de afastar os jovens das questões políticas, fazendo-os repudiá-las. É evidente que, por vezes, o cenário político nacional causa repugnância, porém o distanciamento claramente não é a melhor alternativa a ser escolhida



Torna-se, então, evidente o caráter sofista da acusação de alienação juvenil. Por fim, há de se elucidar que a juventude atual não deve ser julgada com base nas gerações passadas, pois os contextos históricos nos quais estão inseridas são distintos. Além do mais, não há porque compará-las.

Finalizo com uma frase de Marcelo Rubens Paiva: “Alienado é o poder e não o jovem”.


Paulo H.,governador, que foi eleito presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFES, em 1979, e hoje coibe manifestações estundantis.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fela Kuti

Africano, mais precisamente nigeriano. Nascido em 15 de Outubro de 1938. Filho de uma feminista (a primeira mulher nigeriana a dirigir um automóvel) e de um pastor protestante e diretor de escola. Seu nome: Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti ou simplesmente Fela Kuti. Fela foi um multi-instrumentista, músico e compositor, ativista político e dos direitos humanos.


Começou a estudar música depois de abandonar seus estudos do curso de medicina em Londres. Lá formou sua banda "Koola Lobitos" que fazia um som nunca antes experimentado o qual foi chamado, posteriormente, de afrobeat. O afrobeat é uma mistura de jazz, funk e ritmos tradicionais da África. Tudo isso com uma excelente dose de psicodelia. Fela tocava teclados, trompete, saxofone, guitarra, bateria e ainda era responsável pelos vocais.



Na década de 70, Fela com a sua banda, renomeada para "Africa 70", cria República Kalakuta. Uma espécie de comunidade a qual ele declarou independente do Estado da Nigéria. Com o passar do tempo suas músicas foram ganhando cada vez mais um tom político e sua popularidade aumentava o que desagradava às autoridades. Ataques à Kalakuta eram frequentes. Em 1977, Fela e a África 70 lançam “Zombie”, uma ácida crítica às forças armadas nigerianas. O álbum fez um grande sucesso e não agradou nem um pouco o governo, fato este que desencadeou um cruel ataque à República Kalakuta. Fela foi espancado e sua mãe foi assassinada.



Depois do ataque Fela formou seu partido político (Movimento do Povo) e em 1979 se candidatou a presidente, entretanto sua candidatura foi recusada. Com sua nova banda Egypt 80 continuou gravando mas na década de 90 sua produção diminui até ele parar definitivamente de lançar álbuns. Fela Kuti veio a falecer de Sarcoma de Kaposi, causado por AIDS, no dia dois de agosto de 1997. Mais de um milhão de pessoas compareceram ao funeral.


Segue abaixo o link para o download do álbum Zombie.


Download


Villa Lobos,

ao som de International Thief Thief - Egypt 80

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Tarantino: do cool ao cruel

Gosto muito dos filmes do Quentin Tarantino. Muito mesmo. Sua obra é o resultado de um mix histórico do cinema (mas não só do cinema). Suas raízes vão de faroestes até filmes b de luta, sem esquecer dos clássicos e do que é pop. É como um sanduíche fast-food acompanhado de um bom vinho. Tudo com muito molho. Mas não é só isso. Tarantino olha para o mundo com cinismo e desdém, devolve em dobro a violência e sacraliza o banal. Outra característica sua é o motor que faz as cenas saltarem de 0 até 100 km/h em poucos segundos - realmente poucos.

Seus personagens são arautos do banal. Todos elaboram teses e idéias sobre qualquer coisa, são pessoas distorcidas que precisam chamar a atenção (por isso mesmo falam e fazem muito). Começam com estilo, porém não precisa de muito para que façam chover sangue. Em Cães de Aluguel vemos todos esses elementos; começamos com um diálogo em uma mesa de um pequeno restaurante, uma tese sobre Like a Virgin e outra sobre gorjetas, o grupo sai do restaurante com seu jeito cool e depois temos sangue. Exatamente. Banal - codinomes, gel, terno e óculos escuros - sangue. Sequência infalível. E ela acontece bem rápido. Todo mundo conversando, uma piadinha aqui, um sorrisinho ali, uma pistola é descarregada do peito de alguém e um outro perde uma orelha. E nada de estilo 007. Os caras saem encharcados de sangue mesmo. Porque exagero pouco é bobagem.



Alguns falam do excesso da violência, outros da velocidade demasiada, uns até de uma falta de sentido e de uma mediocridade abundante. E eu pergunto: e daí? Todos esses atributos estão realmente nos filmes, e se eles incomodam é porque encontram paralelo na sociedade tresloucada do outro lado da tela.

Antes que eu esqueça, recomendo esse ótimo curta com Selton Mello e Seu Jorge desvendando o grande segredo da obra de Tarantino.



Mr. Purple,
o cara que estava em outro trabalho.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Funk: preconceito e função social

“O funk é uma coisa ridícula”. Foi com essas palavras que o incipiente cantor e compositor brasileiro Diogo Nogueira, filho do saudoso sambista João Nogueira, definiu o gênero musical em questão. É notória, atualmente, a volumosa carga de críticas que o funk vem recebendo.

Naturalmente crítico, o gênero tem sido distorcido nos últimos anos. Desde que passaram a ser financiadas por determinadas facções criminosas (como, por exemplo, Comando Vermelho, no Rio de janeiro, e PCC, em São Paulo), muitas músicas do gênero mudaram o norte para o qual originariamente estavam voltadas e passaram a apoiar, por meio de líricas violentas, o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.


De modo análogo surgem as canções de funk que fazem apologia à sexualidade, como pode ser comprovado ao se fazer análises de músicas como “Dança do créu”, de autoria de MC Créu. A lírica, a todo momento, traz à tona a sexualidade. Dançarinas trajando roupas desinibidas executam constantemente movimentos sensuais e dão a tônica da canção. O ritmo dançante é envolvente e comporta um erotismo que lhe é peculiar.

Não se pode, todavia, julgar todo o gênero com base em apenas alguns exemplares da espécie. Por mais que o todo seja formado por partes, ele não se traduz nas partes. Bem como o funk, outros gêneros musicais também apresentam canções que não correspondem ao que é todo o gênero. Não se deve encaixotar. Não há porque agrupar todas as canções num mesmo bloco e julgá-las como um todo homogêneo; elas não o são e nem têm esta pretensão.

Há exemplos de descompasso inclusive relacionados à famigerada Música Popular Brasileira (MPB). Caetano Veloso, por exemplo, em “Voa, voa pereca” canta: “Coitada da perereca dela/ É tão bela, é tão bela/ Coitado do meu passarinho/ Tão sozinho, tão sozinho”. É inegável a importância e a contribuição de Caetano Veloso para os cenários musical e político nacionais. Tal música, contudo, não reflete o que seja a MPB, e nem por isso contesta-se a qualidade da música popular nacional, pois se reconhece a inferioridade da individualidade perante a grandiosidade do conjunto.

O que dizer então de Roberto Carlos? Um dos maiores ícones da música brasileira – senão o maior –, que, na década de 60, versou: “Que o calhambeque, bi-bi/ O broto quis andar/ No calhambeque/ Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...”.


O funk não é somente apelo sexual, apoio a facções criminosas, apologia ao consumo de drogas. É mais do que isso. O funk possui um teor contestatório, é uma mostra de insatisfação e é a expressão de uma comunidade. Em analogia à história grega, o funk é o Cavalo de Tróia da sociedade contemporânea. Assim como o mecanismo criado por Odisseu, o funk tem como função penetrar nas sólidas barreiras sociais e destruir as estruturas internas que dão sustentação a esta comunidade dissimulada e hipócrita.
O gênero aqui tratado, bem como outros estilos musicais como, por exemplo, o rap, visa expor a situação em que um grupamento humano se encontra, expondo seus problemas, suas expectativas e necessidades. Tem o intuito de mostrar que, especialmente nas comunidades mais carentes, há pessoas muito capazes e que possuem necessidades e desejos como todas as outras, como pode ser evidenciado na lírica “Rap da Felicidade”: “Minha cara autoridade eu já não sei o que fazer/ Com tanta violência eu sinto medo de viver/ Pois moro na favela e sou muito desrespeitado/ A tristeza e alegria que caminham lado a lado”.

Será que lidaremos com o funk do mesmo modo como tratamos o samba em tempos passados? Vamos negar sua importância e renegá-lo ao segundo plano do cenário cultural nacional? Vamos novamente, bem como fizemos com o samba, tachar o funk como música da periferia? Eis a questão.


Por Ludwig van Beethoven,
compositor alemão que curte um batidão frenético.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Congratulations

Uma seleção de imagens em homanegem ao aniversário de independência dos Estados Unidos (4 de Julho). São 233 anos de serviços prestados ao mundo inteiro.

Guerra hispano-americana (1898)
Estados Unidos preocupados com o imperialismo espanhol sobre o caribe.



Guerra dos Boxers (1901)
Garantindo a ordem na China



Segunda Guerra Mundial (1839-1945)
Na luta contra as ditaduras fascistas



Guerra da Coréia (1950-1953)
Estados Unidos lutando pela difusão do capitalismo.



Guerra do Vietnã (1959-1975)
Combatendo os comunistas



Guerra do Golfo (1990-1991)
Apaziguando tensôes no Oriente Médio



Guerra do Iraque (2003- )
Ianques consolidando a democracia no Iraque





Estados Unidos, parabéns pelos seus feitos. És motivo de oegulho para o planeta.


CONGRATULATIONS!!!

terça-feira, 30 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O trono está sem rei: Michael Jackson (1958-2009)

Ligo a tevê com o intuito de saber mais sobre a morte de Farrah Fawcett, atriz que faleceu hoje em decorrência de um câncer. No entanto, ao buscar em algum canal um pouco mais sobre a notícia, me deparo com outra. Essa "outra" notícia fez com que a primeira fosse completamente esquecida pela imprensa. Aos 50 anos Michael Jackson morre hoje, ao que parece de infarto.



A carreira do "Rei do pop" iniciou-se de forma brilhante, no The Jackson 5. Revolucionou a forma de fazer clipes com Thriller (que também é o album mais vendido do mundo), além de criar hits como Beat It e Billie Jean, fora outros tantos. Ele criou uma coreografia própria, uma sonoridade que influenciou uma geração toda. Assim como ascendeu rapidamente, a queda de sua pessoa ante a opinião pública foi igualmente veloz. Em volta de sua figura foi pintado um monstro. O embranquecimento da pele, as batalhas na justiça e as aparições escandalosas foram prato cheio para a grande mídia. Glória Maria, que certa vez conversou com ele, disse que é provável haver, a partir de agora, uma mudança de postura quanto a ele. Depois de seu falecimento. Só depois. "A mão que afaga é a mesma que apedreja."



Não conheço muito sobre Farrah Fawcett, para dizer a verdade apenas a famosa foto de 76 e pouco sobre seu trabalho. Talvez isso explique a postagem se chamar "Michael Jackson (1958-2009)", e não "Farrah Fawcett (1947-2009)", mas a grande mídia esqueceu Farrah por conveniência. Sejamos francos, ela já não vende tanto. Pelo menos não tanto quanto o "Rei".

Certamente Farrah descansará em paz; já Michael, que provavelmente ainda será uma fonte de dinheiro para muitos, terá de esperar um pouco.



Billie Jean,
à procura de um novo par

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sí, se puede

Enquanto os olhos do mundo viram-se para os feitos do recém eleito Barack Obama, ecoa da América Latina um grito gutural ensurdecedor: Sí, se puede.
Críticas avolumaram-se nos últimos meses. Tentativa de estabelecimento de uma ditadura é umas das principais acusações contra o presidente Hugo Chávez, que busca aprovação popular para permanecer na presidência do país por tempo ilimitado. É evidente o caráter ditatorial do ambicioso projeto de Chávez. Se for, todavia, vontade popular não há motivos que impeçam a permanência do presidente. Sí Chávez, se puede. É hora de a América Latina, o coração enfermo do mundo, que há séculos sangra devida à tamanha exploração, tomar as rédeas de sua própria política. Chega de Doutrina Monroe. O cavalo descobriu a força que tem e nunca mais se deixará ser montado.
Os latino-americanos devem trilhar seus próprios caminhos no campo político. Diz-se que a história repete-se como farsa. É momento, então, para a América Latina buscar uma postura política independente e abandonar, de uma vez por todas, este fado colonial que ainda carrega consigo.
Durante todos esses anos as cúpulas governativas latino-americanas importaram modelos políticos advindos dos países considerados desnvolvidos, e para onde esta imitação nos levou? A um crônico e cáustico estado de subdesenvolvimento. O setor educacional na América Latina, por exemplo, é caótico. Segundo a Organização das Naçoes Unidas (ONU), 40% da população do continente não possui qualquer tipo de escolaridade. Saúde e distribuição de renda também desfrutam de índices igualmente alarmantes.
Por que, então, seguir os parâmetros externos se os resultados se mostram desastrosos para o continente? Chegou o momento de América Latina desprender-se de uma vez por todos dos parasitas que lhe abriram as veias. Por isso, Chávez, Sí, se puede.

Símom Bolívar,
militar venezuelano que buscou alinhar-se às metrópoles.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nasce o Polvo

Nascido de um descontentamento coletivo, o grupo O Polvo surge no cenário virtual como uma válvula de escape para os pensamentos antes restritos.
O Polvo busca, então, alcançar com seus tentáculos novas fronteiras e expandir suas análises para além de sua própria mente.


O Polvo,
recém nascido e ainda aprendendo a nadar