quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alienação juvenil

A juventude atual é alienada. Errado. Alegação que não passa de um mito a ser combatido. Há décadas os jovens brasileiros são tachados de alienados por uma sociedade padronizadora que os julga sem antes analisar o contexto em que estão inseridos.

O cenário sócio-político atual não oferece à juventude uma causa capaz de uni-la em torno de um objetivo único. Diferentemente das décadas de 60 e 70, nas quais os jovens brasileiros lutaram por liberdade de expressão - limitada pelo regime ditatorial da época -, à juventude atual são propostas questões menos unificadoras, como a preservação ambiental e casos de corrupção política. É certo que casos envolvendo nepotismo e desvios de verba pública já são razões suficientes para mobilizações populares, entretanto, não se comparam aos malefícios trazidos por um regime ditatorial.

Há de se destacar, também, a inexistência de um dualismo ideológico. De modo geral, toda a sociedade pensa e age conforme os princípios burgueses. Durante a Guerra Fria, por exemplo, tal padronização não se fazia presente, pois a oposição entre comunismo e capitalismo levava ao maniqueísmo ideológico, de maneira a incitar os indivíduos ao engajamento político visando à defesa de seus ideais. Atualmente, contudo, predomina o hibridismo ideológico. “Não há porque me limitar à defesa irrestrita de uma ideologia. Posso ir além: captar o que cada ideologia tem de melhor a nos oferecer”. Não há mais espaços para antagonismos irredutíveis.

Nos tempos modernos, entretanto, com o predomínio da ideologia burguesa, percebe-se uma tentativa elitista - principalmente pela atuação midiática - de afastar os jovens das questões políticas, fazendo-os repudiá-las. É evidente que, por vezes, o cenário político nacional causa repugnância, porém o distanciamento claramente não é a melhor alternativa a ser escolhida



Torna-se, então, evidente o caráter sofista da acusação de alienação juvenil. Por fim, há de se elucidar que a juventude atual não deve ser julgada com base nas gerações passadas, pois os contextos históricos nos quais estão inseridas são distintos. Além do mais, não há porque compará-las.

Finalizo com uma frase de Marcelo Rubens Paiva: “Alienado é o poder e não o jovem”.


Paulo H.,governador, que foi eleito presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFES, em 1979, e hoje coibe manifestações estundantis.

Um comentário:

  1. thiagosilveirapereira@yahoo.com.br3 de maio de 2010 20:47

    Quais as possíveis causas para o processo de alienação de grande
    parte da juventude atual?

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