quinta-feira, 16 de julho de 2009

Tarantino: do cool ao cruel

Gosto muito dos filmes do Quentin Tarantino. Muito mesmo. Sua obra é o resultado de um mix histórico do cinema (mas não só do cinema). Suas raízes vão de faroestes até filmes b de luta, sem esquecer dos clássicos e do que é pop. É como um sanduíche fast-food acompanhado de um bom vinho. Tudo com muito molho. Mas não é só isso. Tarantino olha para o mundo com cinismo e desdém, devolve em dobro a violência e sacraliza o banal. Outra característica sua é o motor que faz as cenas saltarem de 0 até 100 km/h em poucos segundos - realmente poucos.

Seus personagens são arautos do banal. Todos elaboram teses e idéias sobre qualquer coisa, são pessoas distorcidas que precisam chamar a atenção (por isso mesmo falam e fazem muito). Começam com estilo, porém não precisa de muito para que façam chover sangue. Em Cães de Aluguel vemos todos esses elementos; começamos com um diálogo em uma mesa de um pequeno restaurante, uma tese sobre Like a Virgin e outra sobre gorjetas, o grupo sai do restaurante com seu jeito cool e depois temos sangue. Exatamente. Banal - codinomes, gel, terno e óculos escuros - sangue. Sequência infalível. E ela acontece bem rápido. Todo mundo conversando, uma piadinha aqui, um sorrisinho ali, uma pistola é descarregada do peito de alguém e um outro perde uma orelha. E nada de estilo 007. Os caras saem encharcados de sangue mesmo. Porque exagero pouco é bobagem.



Alguns falam do excesso da violência, outros da velocidade demasiada, uns até de uma falta de sentido e de uma mediocridade abundante. E eu pergunto: e daí? Todos esses atributos estão realmente nos filmes, e se eles incomodam é porque encontram paralelo na sociedade tresloucada do outro lado da tela.

Antes que eu esqueça, recomendo esse ótimo curta com Selton Mello e Seu Jorge desvendando o grande segredo da obra de Tarantino.



Mr. Purple,
o cara que estava em outro trabalho.

Um comentário:

  1. Provocante. Bacana esse fechamento:

    "Alguns falam do excesso da violência, outros da velocidade demasiada, uns até de uma falta de sentido e de uma mediocridade abundante. E eu pergunto: e daí? Todos esses atributos estão realmente nos filmes, e se eles incomodam é porque encontram paralelo na sociedade tresloucada do outro lado da tela."

    O que desperta um certa "repugnância" não é bem o excesso de violência, mas sim a constatação do inegável. Violência é um fato e o cinema nem sempre representa um meio de fugir do mundo. Muito pelo contrário.

    Bom post!

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