sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Picadinhas de fim de ano

DITADOS POPULARES
  • "A voz do povo é a voz de Deus". E quem explica o caso da Escola Base?

COMPORTAMENTO

  • Ninguém pode saber muita coisa a seu respeito se você estiver com os olhos fechados. Durma mais.

2011

  • Não me deseje um feliz ano novo. Felicidade não é uma das minhas prioridades.

Bob Dylan,

que é menos carrancudo que eu, deseja-lhes um healthy new year.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vencer, Santana!

Pois bem, eis o que trago.

No dia 21 de setembro desse ano, Santana lança o álbum "Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time". Nome pretensioso. Proposta nem tão pretensiosa assim.


Por trás de uma polida máscara, descobrimos um rosto bem comum. O álbum é pura diversão. Para alguns um caça-níquel bem elaborado. Mas de minha parte, pouco me inclino a aceitar essa visão.

Santana, um guitarrista de mão cheia, resolve buscar uns clássicos e remixá-los. Chamou um grupo de cantores mais jovens para que o auxiliassem, como já havia ocorrido em "Supernatural", e mandou ver. Uma proposta divertida, o problema - para alguns - é que um álbum composto apenas disso é quase um crime. Digo para primeiro vermos o que há aí dentro.

A primeira faixa é também a melhor, uma versão animal de "Whole Lotta Love", que dá o tom geral do que vem depois. A mudança na música é mínima - já era animal antes - e segura. Talvez fruto de inconsciente respeito com o que a música representa. Ou de um consciente medo de retaliação de fãs.

"Smoke on the Water" seguiu pelo mesmo caminho, num modo, no entanto, vexatório. A imagem que fica é a de que a música é a mesma, só que com um Santana tímido fazendo uma graça, além de um vocal diferente. Isso é um problema, pois pouco apresenta de novo, esvaziando aquilo que restaria de conteúdo na proposta.

Ainda assim, é preciso dizer que mesmo tateando numa zona segura erros ocorreram. "Riders on the Storm" ficou bem ruim, talvez a faixa mais decepcionante do trabalho. Agora nada mais ronda a estrada soturna criada originalmente.

Não esmoreçamos ainda! Temos músicas mais bem trabalhadas, destaco duas: "While My Guitar Gently Weeps", notavelmente bem acabada e que possui um charme próprio, e "Back In Black", que despertou críticas variadas, porque foi justamente a que mais mudou. Eu gostei, achei criativa a mudança, sobre ela pouco falarei. Escute e tire suas conclusões.

Outras faixas bastante boas são "Sunshine of Your Love" e "Photograph". Seguras e bem executadas, embora sóbrias demais.

A síntese: faltou ousadia e, tirando "Whole Lotta Love" e "While My Guitar Gently Weeps", nenhuma versão de Santana é passível de comparação com as originais. Muitas nem sequer são memoráveis, vide "Under The Bridge". Apesar disso, gostei. Acho divertida a idéia de remontar os clássicos do rock. Só creio que é preciso mais segurança para tanto, ou o trabalho cai em perigoso descrédito.

Me divirto escutando o álbum, nada mais que isso, assim como acredito que Santana deva ter se divertido quando o criou.


O Polvo,
remixando "Under the Sea"

sábado, 4 de dezembro de 2010

Filmografia Básica - 1

Apenas para os bons.

Noboru Iguchi
- The Neighbor's Sister Has F-Cup
- Busty Costume Play Investigator
- Beautiful Girl on The Toilet 2 - Secret Excrement
- RoboGeisha

Edward D. Wood
- Plan 9 From Outer Space
- Plan 69 From Outer Space

Ruggero Deodato
- Holocausto Canibal

Choy Tak
- O Hércules Chinês

Lemás Tateado
- Um Suspiro no Cairo (versão do diretor)
- Todas as Lembranças de Nicoleta Vaz

Jim Sharman
- The Rocky Horror Picture Show

Gujerardo S. Iben
- Gigolô Granadeador

Bruce Lee
- Game of Death (versão do youtube)

Shamboli Estefban
- Bitch Penalty 2: Super Fast
- Galinhas

Quentin Tarantino
- Kill Bill

Wim Wenders
- Asas do Desejo

Hermes e Renato
- Operação Dragão Fumeta

China Boy
- Wannabe: Garoto em Dúvida
- Um Lúcifer em Taiwan (todos os filmes da série, menos o terceiro)


Divirtam-se!

sábado, 27 de novembro de 2010

Eu também, Herculano

Rorschach quer ser Travis Bickle. Todos querem ser John Malkovich. E eu quero ser Paulo César Pereio, porra!



A tríade.

Meus ídolos. Nesta ordem, necessariamente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A nova intriga teen já começou!

Lucas Pampeltom e Barbara J. Kind-Hanphestshire começaram a namorar!!!

A nova intriga teen de 2011 já está rolando!

Adquira já o seu!



:)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Led Zeppelin IV

Parabéns.

Daqui a um ano (se este blog continuar ativo até lá) contarei uma história relacionada a esse álbum e ao dia de hoje.


Jimmy Page,
curtindo uma data que merece ser lembrada.

domingo, 7 de novembro de 2010

É chuva de merda, parceiro...

Depois que a poeira baixou, resolvi ir ao cinema. Sim, Tropa de Elite 2. Fui depois de todo mundo com o intuito de não enfrentar filas homéricas e pegar um cinema mais calmo. Isso foi hoje. Poucas horas atrás.

O filme começou e começou também a chuva de merda saída da tela na sociedade brasileira e, por conseqüência, em nós que assistíamos ao filme. Nisso surgiram três grupos: os que se sentiam ofendidos com a merdeação constante (esses logo arrumaram guarda-chuvas para protegerem seus rabos, que estavam bem presos), os que curtiam o momento pois acham que um pouco de merda faz bem (eu estava nesse grupo) e os que nem sacavam o que rolava.

Enfim, demorou pouco para eu descobrir o que o Nascimento já sabia desde o primeiro filme: "Vai dar merda, parceiro".

Eu já falei uma vez e repito, parece que tem muita gente aqui no Espírito Santo que curte merdear (desrespeitar mesmo) com a arte. Já fui duramente combatido por ter dito isso, mas veja bem não digo que é só aqui que ocorre o desrespeito. O negócio é que eu moro aqui. Logo meus exemplos diretos são extraídos do que ocorre aqui.

O filme havia apenas começado, sei lá dez minutos de película rolando, e os celulares começaram a correr atrás. Até aquele momento eu não sabia, mas eu estava cercado, parceiro.

Posso enfatizar, principalmente, quatro indivíduos. Uma pessoa do meu lado esquerdo, outra do direito e duas na fileira logo da frente. Outros exemplos poderiam existir, se o filme não tivesse prendido minha cabeça e me impedido de olhar para trás. Bom, a pessoa do lado esquerdo era relativamente tranqüila, ela só ignorava o fato de o celular dela estar ligado no cinema. Ele tocou e ela o desligou, eu acho.

Agora as duas pessoas da fileira da frente, essas sim, essas queriam me ferir. Só podia. Queriam testar minha paciência. Não era possível. No meio do filme começo a sentir um zumbido vindo dessas duas pessoas. O zumbido ficava cada vez mais alto. Num momento em que o filme me deu uma folga eu olhei. Não deveria. Uma pessoa falava ao telefone, enquanto a outra dava instruções sobre o que deveria ser dito. Pensei: "Porra". Mas tudo bem, acontece. Alguns minutos depois ocorre de novo. Só que aí eu constatei o fato mais importante. Elas que ligavam. A chamada era feita, e não recebida.

Eu não conseguia entender. A pessoa vai ao cinema falar no celular. Não entendo isso. Ignorei o fato a partir de então. O que eu não sabia é que algumas pessoas são ainda mais insistentes em suas faltas de respeito. A senhora da direita. Essa sim. Profissional. Cada pelota de merda que ela jogava de volta no filme...

Ela com toda certeza foi ao cinema porque queria um local mais reservado para admirar seu celular. Não estava nem aí para o filme. Era uma saga aquela luzinha. Eu ignorei durante grande parte, porém em determinado momento eu soltei um "" em sua direção. Surpreso fiquei eu ao perceber que surtiu efeito. Entretanto, ela guardava o melhor para o final. Como que de vingança, depois do fim do filme, derrubou o refrigerante da pessoa que assistia comigo quando se levantava da cadeira. Olhou para o refrigerante no chão e disse "opa!". "Opa", mesmo com a melhor das intenções não é um pedido de desculpas. Ainda mais quando dito a um copo de refrigerante caído no chão.

Quando me levantei da cadeira para sair do cinema, olhei em volta e vi refletida nas cadeiras a imagem do mundo sujo que o filme buscava denunciar. Sujeira para todo lado. Eu não assisti ao filme com pessoas, e sim com uma espécie de monstros produtores de sujeira. Mesmo o copo de refrigerante que a senhora derrubou (e que sujou tudo, até mesmo o copo, pois estava meio cheio) eu juntei. Agora as outras pessoas não apenas não juntaram, elas fizeram questão de sujar o local.

Quando saía do cinema ouvi muitos comentários sobre como as pessoas retratadas naquele filme eram ruins, como a sociedade era corrupta e violenta, sempre partindo de bocas que buscavam distanciar-se daqueles considerados ruins. Pelo que eu vi, naquele cinema estavam pessoas que eram tão perversas quanto aquelas vistas na telona. A diferença é a dimensão. Se elas faziam merda num cinema, sem ter nada a ganhar, imagina em situações onde a ganância grita alto, onde a força que se deve fazer para ser honesto é gargantuálica, onde fica fácil se decidir pelo mais confortável.

Para fechar constato, com tristeza, que o desrespeito com a arte atinge o cinema com muita força e, o que é mais assustador, naturalidade. Tratar a arte com leviandade é corriqueiro por essas bandas. Talvez com o ingresso deva vir um manual de comportamento. Ficar quieto e desligar a porra de um celular é uma tarefa difícil, parceiro.


Roberto Nascimento,
encontrando na falta de educação seu inimigo mais feroz.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Esfera Pública x Esfera Privada

Não pretendo mergulhar num campo conceitual, discutir conotações dos termos e aplicações inadequadas, muito menos tratar com esmero a distinção semãntica entre o que é público e o que é privado. A intenção é apenas trazer à tona como determinadas situações recebem tratamentos diferentes, dependendo da esfera a que estão submetidas ou em que são analisadas.

Homoafetividade e uso de drogas são apenas algumas situações exemplificativas que ilustram bem a dualidade marcante entre o público e o privado. Se, nos casos em questão, há permissividade no espaço coletivo, o mesmo não se pode dizer, de modo genérico, quando a temática é transportada para dentro do campo familiar ou imputada ao próprio sujeito.

O dualismo público/privado, contudo, não se limita à sexualidade e ao uso de drogas, mas expande-se, atingindo discussões políticas, econômicas, abarcando, em suma, diversas situações da vida.

A dualidade de que trato neste texto, penso eu, que, se melhor trabalhada, pode, por exemplo, explicar o relativo desinteresse dos brasileiros por questões de orientação política. Explico melhor: considero que a partir do momento em que a responsabilidade por determinada situação é compartilhada entre uma coletividade absurdamente volumosa, o que deveria ser da responsabilidade de todos acaba sendo de ninguém. Ou seja, a coisa muda de figura quando o indivíduo se sente, de alguma forma, diretamente relacionado à questão.

Nas ocasiões sociais em que há fragmentação da responsabilidade, há na verdade dissolução e não partilha. Esta tese aplica-se, por exemplo, na escolha de represantes políticos. Percebo haver uma espécie de descautela no momento de optar pela representação, motivada sobretudo pela aparente inexistência de responsabilidades individuais. É como se cada um de nos pensasse: "se eu errar a culpa não é minha, mas de todos nós". A responsabilidade pelas decisões acaba sendo atribuída a algo que vai além de mim e de você. É simplesmente muito cômodo agir tendo como respaldo a certeza de que não será responsabilizado diretamente pelos seus atos.

Diferente é, contudo, nos assuntos familiares. Se o chefe de família aplica erroneamente seus escassos recursos, gastando-os, por exemplo, com futilidades, ele é diretamente responsabilizado pelo que faz. O mesmo ocorre no ambiente laboral. Nestes casos, o "culpado" tem nome, identidade e face. FACE. É disso que falo. E é isso que falta na esfera pública. Deixo um pensamento de V: "você usa tanto uma máscara que acaba se esquecendo de quem você é".

Ao elaborar este texto, Gérson, o "Canhotinha de Ouro", fuma seu Vila Rica e constata que sua lei ainda continua vigente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Futebol e Política

Nos últimos dias, uma frase me intriga: "O futebol é o ópio do povo". Em tempo de Copa do Mundo e eleições no Brasil, é inevitável a associação dos dois eventos. Tanto o é, que, quase semanalmente, ouço pessoas (da mídia ou não) falarem, ou escreverem, que logo após o término da Copa vêm as eleições, e o brasileiro ainda nem pensou em quem votar.
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Mas te pergunto, o povo brasileiro, grosso modo, não sabe em quem votar porque é ano de Copa? Não. "O futebol é ópio do povo", contudo, passa-me a idéia de que, se não fosse o quadrienal evento esportivo, o brasileiro saberia escolher bem seus representantes.
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Observe-se que não pretendo crucificar os cidadãos brasileiros (ao menos não neste texto), mas sim os embromadores de fala macia, que se aproveitam da ocasião para disparar contra o futebol, como se este fosse o principal responsável, a cada quatro anos, pelas péssimas escolhas políticas que fazemos.
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As causas de nossa má atuação política são tão profundas quanto diversas, o que me faz acreditar que a propagação da ideia de que o futebol desvirtua o cidadão da política é simples reprodução incalculada de quem nunca parou para refletir acerca da afirmação ou, então, necessidade de protagonismo pautada em pseudo-conhecimeto.
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Fico com a ideia de que as razões da insatisfatória participação dos brasileiros na política deve ser melhor estudada, com a profundide que a análise devidamente exige, e não se considerar o futebol como a causa de todos os males.
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D. Maradona,
na África do Sul, refaz a promessa: "Desfilo pelado pelas ruas de Brasília se o Serra ganhar as eleições". REUTERS

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sobre questão do futebol, da ética e de um jornalista defensor de um argumento questionável

Na última postagem me referi a uma fala triste feita por um jornalista no programa "Seleção SporTv". No momento em que escrevo ele volta a polêmica (o programa está passando), por isso resolvi colocar aqui um comentário que fiz em seu blog quando ele mesmo postou sobre o assunto.

"Que falta transparência no futebol, bom, isso todos sabemos. Agora, vermos jornalista glorificar os atos de desonestidade no futebol é um dos maiores absurdos que eu já vi. Cometer uma falta é normal. Mas todos sabemos que o Henry sabia ter feito uma puta duma sacanagem, a qual levou a eliminação de um time que, salvo algum engano meu, jogava honestamente. Se algo semelhante tivesse ocorrido com o Brasil todos reclamariam, mas a Irlanda né… Por que se preocupar com a tremenda desonestidade, sacanagem, falta de caráter, falta de espírito esportivo, falta de ética e pura injustiça feita para com aquele time?

Agora a questão Nilton Santos, Maradona e outros… É complicado para alguns botar a mão na prata da casa, todos ficam melindrados. Mas a questão é bem simples na verdade, não se pode apontar atos ilegais dos quais tais jogadores tivessem consciência de terem feito (e escondido do juiz) como exemplo. São atitudes odiosas. Devem ser repudiadas. O futebol é um jogo e, como todo jogo, possui regras. Se tais regras forem quebradas deve ser reconhecida a infração. Os juízes são os mediadores que apontam erros. Pois nem sempre os dois lados concordam. As vezes o juiz e seus auxiliares perdem um lance. Acontece. Mas daí os jogadores se aproveitarem disso para adquirir vantagem é ridículo. Eles não entram em campo para prejudicar ninguém, mas eles, como qualquer humano, erram. Se acontecer algo desse tipo e o jogador estiver consciente de seu erro, o mínimo que se espera dele é a hombridade de admitir. Porém, como quem admite errar e tenta se corrigir é tido como bobo, ninguém faz isso. Falta cobrança de honestidade por parte de todos.

É a velha questão de se glorificar aqueles que se dão bem de maneira ilegal. Não pode. Para construirmos uma nação melhor devemos cobrar ética uns dos outros. E não fechar os olhos quando acharmos conveniente. Essa falta de cobrança só reflete o quanto somos rigorosos com nós mesmos.

O que me espantou de verdade foi ver um profissional sério não condenar (não vou nem falar da sua defesa do gol da “mão de deus”) atitudes como essas em rede nacional. O seu colega Renato está certíssimo em condenar tais atos. Porra, veja o exemplo que você passa para aqueles que te assistem, cara!

Cobrar ética de políticos em Brasília, mas não de jogadores de futebol? Que pensamento torto é esse? Ética é cobrada de uns, e não de outros? Dois pesos, duas medidas? Falta de ética é igual para todos, onde quer que estejam, independente de quem forem e do que estiverem fazendo.

Fica aí o meu repúdio total e absoluto ao seus comentários do dia 08, mesmo que ninguém ligue.

Abraços,
O Polvo"


É isso. Se necessário volto com o tema. E uma hora dessas falo sobre a Copa...


O Polvo,

curtindo a Copa, o futebol e os comentaristas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Vale Tudo, mas só no futebol!

Eu tinha um tímido projeto de fazer um apanhado geral sobre o que eu achei relevante na história das copas do mundo (uma forma de ir me esquentando para o evento que se inicia dia 11), no entanto, vários fatores me levaram à desistência, dentre eles cito: a falta de tempo, pouco entusiasmo para escrever, e, principalmente, por me dar conta do pouco conhecimento que possuo sobre futebol se comparado a outros grandes. Como meu pai, que com dois minutos de conversa sobre a Seleção de 1982 lançou visões pertinentes sobre as causas da histórica derrota. Visões que eu não havia cogitado. Nem remotamente.

Morreu aí minha vontade de escrever sobre copas e futebol. Mas então você me pergunta "qual é a sua escrevendo agora?", já chego ao ponto.

Estava eu, há uns 30 minutos, diante da tv assistindo ao canal SporTv, mais precisamente o programa "Seleção SporTv", quando os jornalistas (4 deles) começam a discutir sobre a ética no futebol. Um deles me chama a atenção de cara quando diz não achar uma tremenda desonestidade o gol de mão que Henry fez, e que colocou a França na copa. Na hora eu pensei ser uma pegadinha, tipo um teste de honestidade.

- "Bom, senhores telespectadores isso foi um teste. Se você achou um absurdo o que eu disse... Parabéns! Não há nada de errado com você. Isso prova que o seu bom senso, suas faculdades mentais mínimas e a sua atenção estão em boa forma. Caso contrário, tenho más notícias..."

Mas não! Ele foi além, na sua ânsia de defender as jogadas ilegais, chegou a citar o gol de mão de Maradona como um golaço a ser admirado. A "mão de deus" é um exemplo a ser seguido. Até citou um interessante caso envolvendo Zico e Maradona: Maradona fez um gol ilegal (também de mão, se eu entendi corretamente) em um jogo e o juiz não viu. Zico chegou até ele para lembrar-lhe que esse tipo de atitude não era legal. Que era trapaça. Nisso o hermano respondeu:

- "Prazer. Sou Diego Desonesto Armando Maradona."

O jornalista em questão achava o máximo a atitude do argentino. Segundo ele fazer um gol de mão e não ser pego é legal, é válido. Se for pego deve ser punido. Completou dizendo que essas trapaças dentro do jogo não eram questões de falta de honestidade e de ética, afinal trata-se apenas de um jogo de futebol. E disse mais, que ética ele cobra "é dos nossos políticos em Brasília".

Eu não sabia o que pensar. É a defesa aberta de um pensamento ancestral muito odioso, cultivado até hoje por muitos, de que é preciso se dar bem a qualquer preço. Se você for pego merece ser punido, se não vira um herói.

É claro que nem tudo passou impunimente. Um outro jornalista, durante o programa, fez questão de apontar o quão ridículas eram tais afirmações. O rapaz não se convenceu.

Vou parar por aqui mesmo porque estou sem palavras para expressar a minha indignação. É sério. Eduardo Galeano estava certíssimo ao dizer, em seu livro "Futebol ao sol e à sombra", que no futebol vale tudo.

Só para finalizar: perguntaram para o dito jornalista se ele acharia o gol da "mão de deus" um golaço se ele fosse inglês - a resposta, já na ponta da língua, foi um sonoro "É claro que não!"
Vai entender...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Toda a nudez será castigada, em Vitória

No dia sete de março fui ao museu ferroviário assistir a uma palestra de José Celso Martinez Corrêa e José Miguel Wisnik. Uma dupla que prometia. O assunto da palestra era a superação da crise, obviamente o sentido de crise no contexto referido é amplo e tratava até dela como momento de florescimento das potencialidades humanas.


A palestra começou logo depois do almoço, o local estava cheio de gente e eu cheio de expectativas. De cara a dinâmica já foi outra: fizemos um círculo em volta dos dois, enquanto eles bebiam vinho e cantavam. Para poupar trabalho já vou avisar que eles beberam e cantaram durante toda a palestra, intercalando seus discursos a ótimas canções.

Até aí tudo bem. A coisa mudou de figura a partir de então. Um encadeamento de surpresas se sucedeu. Como pude perceber naquele dia o povo de Vitória não gosta de ser surpreendido.


A palestra fluía bem, até que Zé Celso perguntou a um misterioso rapaz que o acompanhava - que, além de ter servido o vinho para os dois e para ele mesmo, chegou a fazer uma fala no meio da palestra - se ele faria uma cena de uma peça teatral. Ele concordou, e se revelou ser um ator. A peça, de acordo com Zé Celso, parecia bastante ousada, particularmente uma de suas cenas. Sim, era exatamente essa a que o rapaz faria naquele momento.


O rapaz foi para o meio do círculo e plantou bananeira. Eu não sabia o que viria a seguir, mas continuei a me perguntar o mesmo quando Zé Celso pediu para alguém retirar as calças e as cuecas do rapaz, ou como Zé mesmo disse "calcinhas".

Espero que o leitor (caso haja algum) perceba que passamos rapidamente de "vinho + canções" para "bananeira + nudez". Alguns dos presentes não gostaram muito disso. Zé Celso não se importou e chamou o câmera para dar um close no (os mais sensíveis me desculpem a palavra, mas não há outra que se encaixe melhor no referido momento) cú do rapaz. Acreditem, foi aí que tudo começou.


A partir daí ao cú do rapaz foram somados vinho, dedo e boca do Zé Celso. Cenas que, não vou mentir, me surpreenderam. E muito. Mas agora vem o que é realmente surpreendente. A essa altura, das mais de cem pessoas presentes do início da palestra, só restavam umas setenta cabeças. Bem menos da metade. Vale lembrar que essa é uma estimativa duvidosa, cuja fonte é minha mente que prestava mais atenção no que acontecia no fatídico círculo.


A parte realmente surpreendente a que me referi ocorreu depois do término da palestra. Ela repercutiu de maneira fortemente negativa. Quase todos com quem conversei não apenas não gostaram da palestra, mas também a classificaram como ruim e errada. Mesmo as que não estavam lá. Louco, pervertido, desrespeitoso, foram alguns dos adjetivos que ouvi para classificar Zé Celso.

- Deveriam avisar que a palestra continha nudez. - Muitos me disseram.

- Foi um ato de perversão. - Classificaram outros.

- Ele não podia ter feito isso. - Alguns até mesmo decidiam o que cabia ou não na palestra. Agora não é mais o autor que escolhe como compor sua apresentação. Foi bom saber disso.

Todos com os quais eu falei ou ficaram durante a palestra por livre e espontânea vontade ou não foram. Não cheguei a conversar com alguém que havia saído na metade. As reações mais extremadas foram daqueles que não foram.

Muitos dos que não gostaram disseram que "aquilo" estava errado. Na palestra, mesmo enquanto meio de expressão artística, não poderiam acontecer aqueles atos. Muitos confundiam gostar e não gostar com certo e errado.

Ok, o indivíduo se sente desconfortável com nudez ou com qualquer uma das coisas ali feitas. Ele poderia sair, como muitos o fizeram. Zé Celso não prendeu ninguém lá.


Pelo que pude perceber o problema não foi com o indivíduo ver a nudez (já que ele não era obrigado) ou o que se seguiu, foi ele saber que tudo isso ocorreu e alguém viu, e mais, ocorreu em seu solo. Alguém veio de fora macular está terra santa. "Que ele faça suas loucuras longe daqui".


Meu ponto é: em geral as pessoas não gostaram do ato, por diversos motivos, por isso o classificaram como errado. Isso é um absurdo. Porém um número assustador acha que isso faz sentido. Não creio ser necessário explicar o motivo dessa perspectiva ser altamente perigosa.

Não preciso acrescentar que o fato de eu ter apreciado a palestra foi motivo de cólera, piada e total incredulidade por muitos daqueles com os quais conversei.

O fato é que Zé Celso se equivocou, Vitória não está em 2010 ainda, está em 1960, por aí. Ele disse que voltar aqui dependeria de nós (pessoas de Vitória). Se essa for mesmo a condição ele não volta. Mas se ele voltar que fique esperto. O povo daqui não gosta de surpresas.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Respect the old school (#1)

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

Alguns já passaram dos oitenta anos, outros já têm netos e há também os que tomam meia dúzia de medicamentos diariamente, mas, sem dúvida, ainda demonstram muito talento.

Os vídeos que se seguem foram extraídos do documentário Buena Vista Social Club (1998), do diretor alemão Win Wenders. A película, sob a tutela de Ry Cooder (músico estadunidense), reúne grandes nomes da música cubana que foram, com o passar dos anos, sendo conduzidos ao esquecimento, como, por exemplo, Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Barbarito Torres e o fabuloso pianista Rubén González.

Juntos os músicos cubanos formaram o grupo Buena Vista Social Club, que recebeu este nome em homengaem ao extinto clube de dança da capital havana. Destacam-se duas históricas apresentações do Buena Vista: Amsterdã e Nova Iorque (no Carnegie Hall).

Abaixo, Ibrahim Ferrer, no vocal, e Ruben González, ao piano, dividem o palco em "Dos Gardenias".

Além de González, Ferrer, Segundo e Torres, também integram o conjunto Omara Portuondo, Elíades Ochoa e Pio Leyva, dentre tantos outros. O grupo musical revive com maestria grandes composições latinas. "Chan Chan", "Veinte Años" e "El cuarto de Tula" são apenas alguns exemplos" de sucessos cantados pelo Buena vista.

Segue a apresentação do Buena Vista Social Club no Carnegie Hall (Nova Iorque), em 1999. A música em questão é "Chan Chan".

Respect the old school.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Punindo o corpo não se educa a mente.

Conversava com colegas dia desses. Bate-papo casual. Após falarmos sobre assuntos universitários surgiram naturais dois temas: violência e práticas combativas a este comportamento. Eis que um deles nos apresentou uma experiência bem pontual: em determinada nação, durante certa época (quando começava a estourar o movimento gângster naquele país), tornou-se comum a mutilação de uma das mãos dos sujeitos culpados por roubos. Os reincidentes perdiam a que lhe sobrava. Além de critério identificador, a perda das extremidades dos braços servia como alerta para os outros membros da gangue. A eficácia foi garantida, segundo o colega.
A grande questão, contudo, não me parece girar em torno da eficiência ou não do comportamento, mas sim ao redor da própria natureza da atitude e também acerca dos resultados a serem obtidos com tal postura. Numa primeira abordagem, é fundamental, e, de certa maneira, evidente a constatação de que se emprega um mecanismo violento para coibir a violência. O que torna a punição, no mínimo, antilógica. E nem venha com essa de que “os fins justificam os meios”. Não. Não justificam. Procedimentos intermediários adequados são tão importantes quanto o caráter do objetivo a ser alcançado.



É notável o alto grau de funcionalidade e a assimilação instantânea provocados por uma dose extra de violência. O caso doméstico talvez seja o mais palpável para servir como exemplo: uma palmada generosa em uma criança que por algum instante foi desobediente soluciona, de forma simples e cômoda (para o agressor), a situação importuna. É este o ponto. Os sujeitos que são responsáveis pela educação de outrem (o Estado que decepa a mão do meliante ou o mero pai de família que esbofeteia o filho), optam, na maioria dos casos, pelas resoluções menos trabalhosas e mais imediatistas, que quase nunca são as melhores opções a serem feitas.



Chamo a atenção para a necessidade do diálogo, da instrução, e não do mero condicionamento mental associado à punição física e/ou psicológica em caso de descumprimento de um dever preestabelecido. Contudo, a comunidade humana não abre mão do terror. Talvez até sinta prazer mediante o desespero alheio.
A humanidade dos tempos modernos já adquiriu maturidade suficiente para compreender que o respeito é mais eficaz que o medo porque é permanente. A obediência por medo faz-se atuante enquanto perdurar a situação amedrontadora. É como o garoto que sabe apenas somar laranjas, mas não maçãs. Ele foi condicionado a isso. Educamos pessoas da mesma forma como adestramos cães: se desobedecer apanha.

Punindo o corpo não se educa a mente, apenas a condiciona a determinadas situações.

Trecho extraído da carta aberta de Leopoldo II, Rei da Bélgica, destinada ao povo do Estado Livre do Congo.