quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Respect the old school (#1)

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

Alguns já passaram dos oitenta anos, outros já têm netos e há também os que tomam meia dúzia de medicamentos diariamente, mas, sem dúvida, ainda demonstram muito talento.

Os vídeos que se seguem foram extraídos do documentário Buena Vista Social Club (1998), do diretor alemão Win Wenders. A película, sob a tutela de Ry Cooder (músico estadunidense), reúne grandes nomes da música cubana que foram, com o passar dos anos, sendo conduzidos ao esquecimento, como, por exemplo, Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Barbarito Torres e o fabuloso pianista Rubén González.

Juntos os músicos cubanos formaram o grupo Buena Vista Social Club, que recebeu este nome em homengaem ao extinto clube de dança da capital havana. Destacam-se duas históricas apresentações do Buena Vista: Amsterdã e Nova Iorque (no Carnegie Hall).

Abaixo, Ibrahim Ferrer, no vocal, e Ruben González, ao piano, dividem o palco em "Dos Gardenias".

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Além de González, Ferrer, Segundo e Torres, também integram o conjunto Omara Portuondo, Elíades Ochoa e Pio Leyva, dentre tantos outros. O grupo musical revive com maestria grandes composições latinas. "Chan Chan", "Veinte Años" e "El cuarto de Tula" são apenas alguns exemplos" de sucessos cantados pelo Buena vista.

Segue a apresentação do Buena Vista Social Club no Carnegie Hall (Nova Iorque), em 1999. A música em questão é "Chan Chan".

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Respect the old school.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Punindo o corpo não se educa a mente.

Conversava com colegas dia desses. Bate-papo casual. Após falarmos sobre assuntos universitários surgiram naturais dois temas: violência e práticas combativas a este comportamento. Eis que um deles nos apresentou uma experiência bem pontual: em determinada nação, durante certa época (quando começava a estourar o movimento gângster naquele país), tornou-se comum a mutilação de uma das mãos dos sujeitos culpados por roubos. Os reincidentes perdiam a que lhe sobrava. Além de critério identificador, a perda das extremidades dos braços servia como alerta para os outros membros da gangue. A eficácia foi garantida, segundo o colega.
A grande questão, contudo, não me parece girar em torno da eficiência ou não do comportamento, mas sim ao redor da própria natureza da atitude e também acerca dos resultados a serem obtidos com tal postura. Numa primeira abordagem, é fundamental, e, de certa maneira, evidente a constatação de que se emprega um mecanismo violento para coibir a violência. O que torna a punição, no mínimo, antilógica. E nem venha com essa de que “os fins justificam os meios”. Não. Não justificam. Procedimentos intermediários adequados são tão importantes quanto o caráter do objetivo a ser alcançado.



É notável o alto grau de funcionalidade e a assimilação instantânea provocados por uma dose extra de violência. O caso doméstico talvez seja o mais palpável para servir como exemplo: uma palmada generosa em uma criança que por algum instante foi desobediente soluciona, de forma simples e cômoda (para o agressor), a situação importuna. É este o ponto. Os sujeitos que são responsáveis pela educação de outrem (o Estado que decepa a mão do meliante ou o mero pai de família que esbofeteia o filho), optam, na maioria dos casos, pelas resoluções menos trabalhosas e mais imediatistas, que quase nunca são as melhores opções a serem feitas.



Chamo a atenção para a necessidade do diálogo, da instrução, e não do mero condicionamento mental associado à punição física e/ou psicológica em caso de descumprimento de um dever preestabelecido. Contudo, a comunidade humana não abre mão do terror. Talvez até sinta prazer mediante o desespero alheio.
A humanidade dos tempos modernos já adquiriu maturidade suficiente para compreender que o respeito é mais eficaz que o medo porque é permanente. A obediência por medo faz-se atuante enquanto perdurar a situação amedrontadora. É como o garoto que sabe apenas somar laranjas, mas não maçãs. Ele foi condicionado a isso. Educamos pessoas da mesma forma como adestramos cães: se desobedecer apanha.

Punindo o corpo não se educa a mente, apenas a condiciona a determinadas situações.

Trecho extraído da carta aberta de Leopoldo II, Rei da Bélgica, destinada ao povo do Estado Livre do Congo.