quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sobre questão do futebol, da ética e de um jornalista defensor de um argumento questionável

Na última postagem me referi a uma fala triste feita por um jornalista no programa "Seleção SporTv". No momento em que escrevo ele volta a polêmica (o programa está passando), por isso resolvi colocar aqui um comentário que fiz em seu blog quando ele mesmo postou sobre o assunto.

"Que falta transparência no futebol, bom, isso todos sabemos. Agora, vermos jornalista glorificar os atos de desonestidade no futebol é um dos maiores absurdos que eu já vi. Cometer uma falta é normal. Mas todos sabemos que o Henry sabia ter feito uma puta duma sacanagem, a qual levou a eliminação de um time que, salvo algum engano meu, jogava honestamente. Se algo semelhante tivesse ocorrido com o Brasil todos reclamariam, mas a Irlanda né… Por que se preocupar com a tremenda desonestidade, sacanagem, falta de caráter, falta de espírito esportivo, falta de ética e pura injustiça feita para com aquele time?

Agora a questão Nilton Santos, Maradona e outros… É complicado para alguns botar a mão na prata da casa, todos ficam melindrados. Mas a questão é bem simples na verdade, não se pode apontar atos ilegais dos quais tais jogadores tivessem consciência de terem feito (e escondido do juiz) como exemplo. São atitudes odiosas. Devem ser repudiadas. O futebol é um jogo e, como todo jogo, possui regras. Se tais regras forem quebradas deve ser reconhecida a infração. Os juízes são os mediadores que apontam erros. Pois nem sempre os dois lados concordam. As vezes o juiz e seus auxiliares perdem um lance. Acontece. Mas daí os jogadores se aproveitarem disso para adquirir vantagem é ridículo. Eles não entram em campo para prejudicar ninguém, mas eles, como qualquer humano, erram. Se acontecer algo desse tipo e o jogador estiver consciente de seu erro, o mínimo que se espera dele é a hombridade de admitir. Porém, como quem admite errar e tenta se corrigir é tido como bobo, ninguém faz isso. Falta cobrança de honestidade por parte de todos.

É a velha questão de se glorificar aqueles que se dão bem de maneira ilegal. Não pode. Para construirmos uma nação melhor devemos cobrar ética uns dos outros. E não fechar os olhos quando acharmos conveniente. Essa falta de cobrança só reflete o quanto somos rigorosos com nós mesmos.

O que me espantou de verdade foi ver um profissional sério não condenar (não vou nem falar da sua defesa do gol da “mão de deus”) atitudes como essas em rede nacional. O seu colega Renato está certíssimo em condenar tais atos. Porra, veja o exemplo que você passa para aqueles que te assistem, cara!

Cobrar ética de políticos em Brasília, mas não de jogadores de futebol? Que pensamento torto é esse? Ética é cobrada de uns, e não de outros? Dois pesos, duas medidas? Falta de ética é igual para todos, onde quer que estejam, independente de quem forem e do que estiverem fazendo.

Fica aí o meu repúdio total e absoluto ao seus comentários do dia 08, mesmo que ninguém ligue.

Abraços,
O Polvo"


É isso. Se necessário volto com o tema. E uma hora dessas falo sobre a Copa...


O Polvo,

curtindo a Copa, o futebol e os comentaristas.

3 comentários:

  1. Assino embaixo, caro Polvo. Existe uma indulgência babaca em relação a esses "falsos heróis" que o futebol cria e protege. Uma pena que jornalistas - cujo papel deveria ser o de esclarecer e manter a ética - entrem nesse jogo babaca e desonesto de interesses, que se resume a manter um estado de coisas no futebol. Lamentável..
    Abraço

    Grijó

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  2. Rapaz, eu entendo a sua indignação, mas não compartilho dela na totalidade. Sim, o passe de mão do Henry e o gol do Maradona foram imorais e antiéticos e nenhum dos jogadores devem ser vistos como heróis por isso, entretanto, esse é o ponto da minha discordância, não me sinto capaz de chamá-los de imorais, ou seja, até classifico os atos assim, mas os autores não, talvez só o Maradona, conforme argumentarei.

    Explico: Eu jogo futebol com uma certa frequência e acho muito difícil você refletir sobre alguns atos antes de praticá-los em campo. No futebol tudo é muito rápido e pouco racional, você se guia mais por sensações e reflexos corporais do que pela razão (esse é o ponto - a razão não é muito adequada para explicar as coisas do futebol). Imagine você tentando dominar aquela bola que o Henry dominou com a mão. Quando a bola vem até você, você tenta dominar do jeito que dá, é muito rápido, logo, não sei até que ponto ele teve tempo de pensar no que fazer, ele tentou terminar uma jogada que nem o zagueiro que dá um carrinho para impedir que a bola do adversário vá a gol e que, sem querer, acaba quebrando a perna dele. Imprudência. Ético? Não. Mas seja sincero: No caso do Henry, o que você faria depois de dominar a bola com a mão desesperadamente para tentar salvar o seu time de uma derrota e levá-lo a Copa num jogo em casa? Avisaria ao juiz? Não é simples assim, no futebol, por algum motivo que não sei ao certo, se busca a vitória desesperamente, troca-se empurrões, palavrões, domina-se a bola com a mão (como o Luis Fabiano no gol que fez no jogo com a Costa do Marfim), defende-se a bola com as mãos em cima da linha do gol, mesmo sendo jogador de linha (como o atacante do Uruguai contra Gana na Copa)... A adrenalina está sempre lá em cima, pouco se pensa. Nós que vemos de fora, temos tempo para refletir, para dizer se foi ético ou não, mas os jogadores não têm todo esse tempo, mesmo pessoas naturalmente éticas no cotidiano podem cometer irregularidades jogando futebol, você nunca fez uma? Eu, por exemplo, como goleiro, já fiquei calado diversas vezes depois de tocar em bolas, em campeonato (em pelada não), que o juiz não viu desviar em meus dedos e ir para a linha de fundo. Depois dos jogos eu costumo julgar errado meus atos, mas na hora eu não penso muito antes de me calar, a vontade de salvar meu time da derrota fala mais alto.

    O caso do Maradona é diferente, ele teve uma eternidade para pensar no que fazer antes de chegar próximo do goleiro e meter a mão naquela bola, isso sim é falta de ética, é o agir de alguém imoral, de quem teve outra escolha, teve tempo e ainda assim não quis ser ético. Do Henry eu não digo o mesmo.

    Eu fui bem específico, mas sei que você quis escrever num sentido mais amplo sobre ética no futebol, apesar disso reitero que no futebol e em alguns outros esportes é muito difícil exigir ética dos atletas o tempo todo, mesmo nós (amadores) quando jogamos deixamos a ética de fora algumas vezes, acho que é involuntário muitas vezes, por quê? Porque futebol é adrenalina, é sensação, reflexo, não se tem muito tempo para pensar sempre. O problema todo é querer defender que seja moral, correto e heróico, por isso Rizek está errado, mas acho que devemos ver SIM os esportes com mais tolerância. Exigir ética de um político, de quem tem tempo para agir racionalmente e ponderando valores é uma coisa, mas de quem não não tem essa prerrogativa é covardia, é como chamar de desonesto um juiz que não marcou um penalti que a TV mostrou com suas 30 camêras que ocorreu, afinal, ele não teve o tempo de raciocínio que tivemos assistindo o lance em casa, não se pode presunir a sua desonestidade, mas também não se pode dizer que o agir dele foi correto, entedeu minha visão?

    Um Abraço e parabéns pelo texto!

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  3. Caro Don Quasímodo,

    Acredito ter entendido seu ponto de vista. Mas não partilho da mesma visão. Planejo escrever mais sobre o assunto para podermos continuar o debate.

    No mais abraços e obrigado pela visita que vou retribuir,
    O Polvo

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