segunda-feira, 19 de julho de 2010

Esfera Pública x Esfera Privada

Não pretendo mergulhar num campo conceitual, discutir conotações dos termos e aplicações inadequadas, muito menos tratar com esmero a distinção semãntica entre o que é público e o que é privado. A intenção é apenas trazer à tona como determinadas situações recebem tratamentos diferentes, dependendo da esfera a que estão submetidas ou em que são analisadas.

Homoafetividade e uso de drogas são apenas algumas situações exemplificativas que ilustram bem a dualidade marcante entre o público e o privado. Se, nos casos em questão, há permissividade no espaço coletivo, o mesmo não se pode dizer, de modo genérico, quando a temática é transportada para dentro do campo familiar ou imputada ao próprio sujeito.

O dualismo público/privado, contudo, não se limita à sexualidade e ao uso de drogas, mas expande-se, atingindo discussões políticas, econômicas, abarcando, em suma, diversas situações da vida.

A dualidade de que trato neste texto, penso eu, que, se melhor trabalhada, pode, por exemplo, explicar o relativo desinteresse dos brasileiros por questões de orientação política. Explico melhor: considero que a partir do momento em que a responsabilidade por determinada situação é compartilhada entre uma coletividade absurdamente volumosa, o que deveria ser da responsabilidade de todos acaba sendo de ninguém. Ou seja, a coisa muda de figura quando o indivíduo se sente, de alguma forma, diretamente relacionado à questão.

Nas ocasiões sociais em que há fragmentação da responsabilidade, há na verdade dissolução e não partilha. Esta tese aplica-se, por exemplo, na escolha de represantes políticos. Percebo haver uma espécie de descautela no momento de optar pela representação, motivada sobretudo pela aparente inexistência de responsabilidades individuais. É como se cada um de nos pensasse: "se eu errar a culpa não é minha, mas de todos nós". A responsabilidade pelas decisões acaba sendo atribuída a algo que vai além de mim e de você. É simplesmente muito cômodo agir tendo como respaldo a certeza de que não será responsabilizado diretamente pelos seus atos.

Diferente é, contudo, nos assuntos familiares. Se o chefe de família aplica erroneamente seus escassos recursos, gastando-os, por exemplo, com futilidades, ele é diretamente responsabilizado pelo que faz. O mesmo ocorre no ambiente laboral. Nestes casos, o "culpado" tem nome, identidade e face. FACE. É disso que falo. E é isso que falta na esfera pública. Deixo um pensamento de V: "você usa tanto uma máscara que acaba se esquecendo de quem você é".

Ao elaborar este texto, Gérson, o "Canhotinha de Ouro", fuma seu Vila Rica e constata que sua lei ainda continua vigente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Futebol e Política

Nos últimos dias, uma frase me intriga: "O futebol é o ópio do povo". Em tempo de Copa do Mundo e eleições no Brasil, é inevitável a associação dos dois eventos. Tanto o é, que, quase semanalmente, ouço pessoas (da mídia ou não) falarem, ou escreverem, que logo após o término da Copa vêm as eleições, e o brasileiro ainda nem pensou em quem votar.
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Mas te pergunto, o povo brasileiro, grosso modo, não sabe em quem votar porque é ano de Copa? Não. "O futebol é ópio do povo", contudo, passa-me a idéia de que, se não fosse o quadrienal evento esportivo, o brasileiro saberia escolher bem seus representantes.
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Observe-se que não pretendo crucificar os cidadãos brasileiros (ao menos não neste texto), mas sim os embromadores de fala macia, que se aproveitam da ocasião para disparar contra o futebol, como se este fosse o principal responsável, a cada quatro anos, pelas péssimas escolhas políticas que fazemos.
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As causas de nossa má atuação política são tão profundas quanto diversas, o que me faz acreditar que a propagação da ideia de que o futebol desvirtua o cidadão da política é simples reprodução incalculada de quem nunca parou para refletir acerca da afirmação ou, então, necessidade de protagonismo pautada em pseudo-conhecimeto.
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Fico com a ideia de que as razões da insatisfatória participação dos brasileiros na política deve ser melhor estudada, com a profundide que a análise devidamente exige, e não se considerar o futebol como a causa de todos os males.
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D. Maradona,
na África do Sul, refaz a promessa: "Desfilo pelado pelas ruas de Brasília se o Serra ganhar as eleições". REUTERS