sexta-feira, 2 de julho de 2010

Futebol e Política

Nos últimos dias, uma frase me intriga: "O futebol é o ópio do povo". Em tempo de Copa do Mundo e eleições no Brasil, é inevitável a associação dos dois eventos. Tanto o é, que, quase semanalmente, ouço pessoas (da mídia ou não) falarem, ou escreverem, que logo após o término da Copa vêm as eleições, e o brasileiro ainda nem pensou em quem votar.
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Mas te pergunto, o povo brasileiro, grosso modo, não sabe em quem votar porque é ano de Copa? Não. "O futebol é ópio do povo", contudo, passa-me a idéia de que, se não fosse o quadrienal evento esportivo, o brasileiro saberia escolher bem seus representantes.
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Observe-se que não pretendo crucificar os cidadãos brasileiros (ao menos não neste texto), mas sim os embromadores de fala macia, que se aproveitam da ocasião para disparar contra o futebol, como se este fosse o principal responsável, a cada quatro anos, pelas péssimas escolhas políticas que fazemos.
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As causas de nossa má atuação política são tão profundas quanto diversas, o que me faz acreditar que a propagação da ideia de que o futebol desvirtua o cidadão da política é simples reprodução incalculada de quem nunca parou para refletir acerca da afirmação ou, então, necessidade de protagonismo pautada em pseudo-conhecimeto.
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Fico com a ideia de que as razões da insatisfatória participação dos brasileiros na política deve ser melhor estudada, com a profundide que a análise devidamente exige, e não se considerar o futebol como a causa de todos os males.
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D. Maradona,
na África do Sul, refaz a promessa: "Desfilo pelado pelas ruas de Brasília se o Serra ganhar as eleições". REUTERS

Um comentário:

  1. Sinceramente, esse tipo de fala que aponta o futebol como causa de alienação social é puro papo furado. Não nego que ele seja um ópio para o povo, assim como também acho bom que ele dê momentos de prazer a um povo tão sofrido como o nosso. Se o povo não se interessa por política e não sabe votar direito, garanto que a culpa não é da Copa do Mundo, principalmente, pelo tempo que separa esse evento e as eleições. Se a ideia fosse manipular para valer mesmo, os ditos "manipuladores" teriam o devido cuidado de colocar as eleições logo após a Copa do Mundo, o que não ocorre. E tem mais, por essa lógica furada, nas eleições municipais o povo deveria saber bem o que faz, né? Afinal, tais eleições não se confundem com ano de Copa, logo, nelas o povo pensa muito bem no que faz, certo? Errado.

    Não consigo fazer essa conexão conspiratória entre os dois eventos. Pra mim, isso não passa de uma grande invenção de rebeldes sem causa pseudointelectuais que andam por aí.

    Na boa, deixem o povo ser feliz e usar o seu ópio em paz. Garanto que ele tem um efeito mínimo nas eleições...

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