sábado, 27 de novembro de 2010

Eu também, Herculano

Rorschach quer ser Travis Bickle. Todos querem ser John Malkovich. E eu quero ser Paulo César Pereio, porra!



A tríade.

Meus ídolos. Nesta ordem, necessariamente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A nova intriga teen já começou!

Lucas Pampeltom e Barbara J. Kind-Hanphestshire começaram a namorar!!!

A nova intriga teen de 2011 já está rolando!

Adquira já o seu!



:)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Led Zeppelin IV

Parabéns.

Daqui a um ano (se este blog continuar ativo até lá) contarei uma história relacionada a esse álbum e ao dia de hoje.


Jimmy Page,
curtindo uma data que merece ser lembrada.

domingo, 7 de novembro de 2010

É chuva de merda, parceiro...

Depois que a poeira baixou, resolvi ir ao cinema. Sim, Tropa de Elite 2. Fui depois de todo mundo com o intuito de não enfrentar filas homéricas e pegar um cinema mais calmo. Isso foi hoje. Poucas horas atrás.

O filme começou e começou também a chuva de merda saída da tela na sociedade brasileira e, por conseqüência, em nós que assistíamos ao filme. Nisso surgiram três grupos: os que se sentiam ofendidos com a merdeação constante (esses logo arrumaram guarda-chuvas para protegerem seus rabos, que estavam bem presos), os que curtiam o momento pois acham que um pouco de merda faz bem (eu estava nesse grupo) e os que nem sacavam o que rolava.

Enfim, demorou pouco para eu descobrir o que o Nascimento já sabia desde o primeiro filme: "Vai dar merda, parceiro".

Eu já falei uma vez e repito, parece que tem muita gente aqui no Espírito Santo que curte merdear (desrespeitar mesmo) com a arte. Já fui duramente combatido por ter dito isso, mas veja bem não digo que é só aqui que ocorre o desrespeito. O negócio é que eu moro aqui. Logo meus exemplos diretos são extraídos do que ocorre aqui.

O filme havia apenas começado, sei lá dez minutos de película rolando, e os celulares começaram a correr atrás. Até aquele momento eu não sabia, mas eu estava cercado, parceiro.

Posso enfatizar, principalmente, quatro indivíduos. Uma pessoa do meu lado esquerdo, outra do direito e duas na fileira logo da frente. Outros exemplos poderiam existir, se o filme não tivesse prendido minha cabeça e me impedido de olhar para trás. Bom, a pessoa do lado esquerdo era relativamente tranqüila, ela só ignorava o fato de o celular dela estar ligado no cinema. Ele tocou e ela o desligou, eu acho.

Agora as duas pessoas da fileira da frente, essas sim, essas queriam me ferir. Só podia. Queriam testar minha paciência. Não era possível. No meio do filme começo a sentir um zumbido vindo dessas duas pessoas. O zumbido ficava cada vez mais alto. Num momento em que o filme me deu uma folga eu olhei. Não deveria. Uma pessoa falava ao telefone, enquanto a outra dava instruções sobre o que deveria ser dito. Pensei: "Porra". Mas tudo bem, acontece. Alguns minutos depois ocorre de novo. Só que aí eu constatei o fato mais importante. Elas que ligavam. A chamada era feita, e não recebida.

Eu não conseguia entender. A pessoa vai ao cinema falar no celular. Não entendo isso. Ignorei o fato a partir de então. O que eu não sabia é que algumas pessoas são ainda mais insistentes em suas faltas de respeito. A senhora da direita. Essa sim. Profissional. Cada pelota de merda que ela jogava de volta no filme...

Ela com toda certeza foi ao cinema porque queria um local mais reservado para admirar seu celular. Não estava nem aí para o filme. Era uma saga aquela luzinha. Eu ignorei durante grande parte, porém em determinado momento eu soltei um "" em sua direção. Surpreso fiquei eu ao perceber que surtiu efeito. Entretanto, ela guardava o melhor para o final. Como que de vingança, depois do fim do filme, derrubou o refrigerante da pessoa que assistia comigo quando se levantava da cadeira. Olhou para o refrigerante no chão e disse "opa!". "Opa", mesmo com a melhor das intenções não é um pedido de desculpas. Ainda mais quando dito a um copo de refrigerante caído no chão.

Quando me levantei da cadeira para sair do cinema, olhei em volta e vi refletida nas cadeiras a imagem do mundo sujo que o filme buscava denunciar. Sujeira para todo lado. Eu não assisti ao filme com pessoas, e sim com uma espécie de monstros produtores de sujeira. Mesmo o copo de refrigerante que a senhora derrubou (e que sujou tudo, até mesmo o copo, pois estava meio cheio) eu juntei. Agora as outras pessoas não apenas não juntaram, elas fizeram questão de sujar o local.

Quando saía do cinema ouvi muitos comentários sobre como as pessoas retratadas naquele filme eram ruins, como a sociedade era corrupta e violenta, sempre partindo de bocas que buscavam distanciar-se daqueles considerados ruins. Pelo que eu vi, naquele cinema estavam pessoas que eram tão perversas quanto aquelas vistas na telona. A diferença é a dimensão. Se elas faziam merda num cinema, sem ter nada a ganhar, imagina em situações onde a ganância grita alto, onde a força que se deve fazer para ser honesto é gargantuálica, onde fica fácil se decidir pelo mais confortável.

Para fechar constato, com tristeza, que o desrespeito com a arte atinge o cinema com muita força e, o que é mais assustador, naturalidade. Tratar a arte com leviandade é corriqueiro por essas bandas. Talvez com o ingresso deva vir um manual de comportamento. Ficar quieto e desligar a porra de um celular é uma tarefa difícil, parceiro.


Roberto Nascimento,
encontrando na falta de educação seu inimigo mais feroz.