quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vencer, Santana!

Pois bem, eis o que trago.

No dia 21 de setembro desse ano, Santana lança o álbum "Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time". Nome pretensioso. Proposta nem tão pretensiosa assim.


Por trás de uma polida máscara, descobrimos um rosto bem comum. O álbum é pura diversão. Para alguns um caça-níquel bem elaborado. Mas de minha parte, pouco me inclino a aceitar essa visão.

Santana, um guitarrista de mão cheia, resolve buscar uns clássicos e remixá-los. Chamou um grupo de cantores mais jovens para que o auxiliassem, como já havia ocorrido em "Supernatural", e mandou ver. Uma proposta divertida, o problema - para alguns - é que um álbum composto apenas disso é quase um crime. Digo para primeiro vermos o que há aí dentro.

A primeira faixa é também a melhor, uma versão animal de "Whole Lotta Love", que dá o tom geral do que vem depois. A mudança na música é mínima - já era animal antes - e segura. Talvez fruto de inconsciente respeito com o que a música representa. Ou de um consciente medo de retaliação de fãs.

"Smoke on the Water" seguiu pelo mesmo caminho, num modo, no entanto, vexatório. A imagem que fica é a de que a música é a mesma, só que com um Santana tímido fazendo uma graça, além de um vocal diferente. Isso é um problema, pois pouco apresenta de novo, esvaziando aquilo que restaria de conteúdo na proposta.

Ainda assim, é preciso dizer que mesmo tateando numa zona segura erros ocorreram. "Riders on the Storm" ficou bem ruim, talvez a faixa mais decepcionante do trabalho. Agora nada mais ronda a estrada soturna criada originalmente.

Não esmoreçamos ainda! Temos músicas mais bem trabalhadas, destaco duas: "While My Guitar Gently Weeps", notavelmente bem acabada e que possui um charme próprio, e "Back In Black", que despertou críticas variadas, porque foi justamente a que mais mudou. Eu gostei, achei criativa a mudança, sobre ela pouco falarei. Escute e tire suas conclusões.

Outras faixas bastante boas são "Sunshine of Your Love" e "Photograph". Seguras e bem executadas, embora sóbrias demais.

A síntese: faltou ousadia e, tirando "Whole Lotta Love" e "While My Guitar Gently Weeps", nenhuma versão de Santana é passível de comparação com as originais. Muitas nem sequer são memoráveis, vide "Under The Bridge". Apesar disso, gostei. Acho divertida a idéia de remontar os clássicos do rock. Só creio que é preciso mais segurança para tanto, ou o trabalho cai em perigoso descrédito.

Me divirto escutando o álbum, nada mais que isso, assim como acredito que Santana deva ter se divertido quando o criou.


O Polvo,
remixando "Under the Sea"

Nenhum comentário:

Postar um comentário