segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Maracanã



Assisti ao clássico do futebol carioca do último domingo: Flamengo x Botafogo. Público pífio, menos de 10 mil pessoas. É bem verdade que o jogo também foi patético, mas acho que os cariocas ainda não se familiarizaram com o Engenhão. Senti saudades do Maracanã, então fui procurar notícias sobre como andam as obras por lá. E tomei um susto, que vos relato.

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Logo após a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de futebol de 2014, Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) garantiu que não seria investido um único tostão de dinheiro público na construção de estádios para o evento, isto inclui, obviamente, o Maracanã, ao qual já havia sido destinada uma soma de R$ 304 milhões para receber o PAN de 2007.
Pois bem. Desde então muita coisa já aconteceu. O dinheiro público, que inicialmente nem fazia parte dos planos, já foi inserido nas PPPs (Parceria Público-Privada, uma vaquinha entre Governo e particulares) e hoje é o único responsável por segurar a barra do Maraca, que é pesada: algo em torno R$ 1 bilhão. Como se não bastasse, após a conclusão das obras, o Maracanã será entregue de bandeja à iniciativa privada. Isso deve ocorrer antes mesmo do início da Copa de 2014.
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Traçando um paralelo, o Soccer City, palco da final da Copa da África do Sul, foi construído a partir do zero com R$ 800 milhões. Um estádio para quase 90 mil pessoas. Gigantesco e bonitaço. E o Maracanã, que a cada reforma tem sua capacidade reduzida, custará por volta de R$ 1 bilhão, e isso sem ter sequer a garantia de receber um jogo da seleção canarinho, que para tanto terá de chegar à final do torneio.

Calma aí. Confira no replay: inicialmente não haveria um centavo de dinheiro público; então veio a tal da PPP; depois, o Poder Público assumiu integralmente a responsabilidade pela reconstrução do estádio; concluídas as obras, o Maracanã será repassado para a iniciativa privada, que não investiu um tostão no empreendimento.

Surpreendente? Não. Não existe pecado ao sul do Equador.
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O Povo

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